quinta-feira, outubro 22, 2020

Sete pecados capitais e inteligência emocional no ambiente de trabalho – Parte 2

No último post, começamos a analisar um dos pecados capitais mais presentes nos dias de hoje: a vaidade, que se associa à arrogância, soberba ou narcisismo. Acompanhe agora a continuação desse artigo com a associação da inteligência emocional e os demais pecados capitais:

Segundo pecado – TPM: temperado para matar

O segundo pecado capital que ilustra a ignorância emocional que permeia nas carreiras e vidas de muitas pessoas é a Ira, também conhecida como a cólera, raiz da maioria de conflitos humanos em pequena e larga escala. O controle das emoções – as nossas e as dos outros – é a segunda competência emocional que temos que cuidar.

Demonstramos esta competência pela forma como regulamos ou gerimos nossas emoções. Muitas pessoas, em seus melhores dias, são conhecidas como expressivas, empolgadas e apaixonadas por seus projetos e as pessoas de seu círculo de relacionamento. Dificilmente, passam despercebidas no ambiente de trabalho – são intensas e com a energia vibrando à flor da pele. Porém, quando seu “termostato emocional” entra em curto-circuito, aquela energia deixa de ser um combustível para seus projetos e se explode em lavas destrutivas – sai de perto! Da noite para o dia, ou de uma hora para outra, ele/a reage de forma destemperada, se enfurece por motivos considerados pequenos para outras pessoas, perde o entusiasmo e se puder larga mão do que era a grande paixão de sua vida – pessoas ou projetos.

Todos nós já tivemos a experiência nada agradável de conviver, ou pelo menos presenciar o “TPM” em ação. Se ele ou ela tiver a primeira competência emocional de se conhecer e perceber as reações dos outros, conseguirão saber a hora que seu estopim está queimando perto da bomba e perceberão os sinais exteriores, como o cuidado com que as pessoas chegam perto para lhe dar más notícias ou consultam o “radar meteorológico” de seus vizinhos para saber se podem se aproximar. Porém, mesmo aquelas pessoas que têm conhecimento de sua emocionalidade e do estrago que provocam quando estouram, relatam que quando veem, sua mão já está se dirigindo a uma sonora cacetada sobre a mesa e uma descarga elétrica verbal matadora.

A instabilidade que caracteriza esta (in)competência emocional é o que provoca os maiores problemas – um dia, está ótimo, alegre e contando piadas e em outro, como numa mudança de fase da lua, surge o “lobisomem/mulher da meia noite”. Talvez seja esta a deficiência comportamental que mais aparece em rodinhas de fofocas, feedbacks da avaliação do fim do ano ou de encomendas de coaching já como último recurso.

O outro lado do controle das emoções é como conseguimos controlar, ou melhor, influenciar as emoções das outras pessoas. Aqui estamos falando daquela pessoa que aplica tudo que obteve com seu “radar social” da primeira competência para conseguir criar uma boa primeira impressão em seu interlocutor, lembrando daquele Princípio Danuza Leão que teria dito: “Nunca se tem uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão”. Os emocionalmente competentes são reconhecidos por suas habilidades sociais para apaziguar clientes bravos, para encorajar e instilar confiança naqueles que estão passando por uma fase difícil. Como resultado, é alguém que se gosta de estar por perto.

Um executivo famoso, em um momento de vaidade intensa, descreveu-me certa vez, sua capacidade para influência melodramática de levar sua audiência da gargalhada às lágrimas emocionadas. No entanto, essa competência emocional não é privilégio de atores e atrizes que desenvolvem um dom natural para poder viver disso. Cada um de nós, pode desenvolver esta capacidade de influência positiva sobre os outros que reflete sobre nossa reputação. Entretanto, como tudo na vida, usada para o mal, o outro lado da inteligência emocional, seu lado sombra, coloca-a a serviço da dissimulação de certas emoções e falsificação de outras para moldar uma impressão falsa sobre si mesmo. As pessoas ardilosas que se rejubilam quando testam os limites e são bem-sucedidas em driblar objeções por meio de uma ética “flexível”, certamente, possuem essa habilidade de influência manipuladora. Mas, aqui entramos no terreno dos valores que encontramos em um plano complementar ao das competências emocionais.

Três pecados: gula, avareza, inveja – eu sou mais eu

Outros três pecados capitais podem ser associados à terceira competência emocional do compartilhamento de nossas emoções – a Gula, Avareza e Inveja com as quais convivemos diariamente, principalmente em nossos dias narcisistas das mídias sociais e “myselfies”, tem como base aquelas expressões: “afinal, se eu não cuidar de mim, quem vai cuidar?” O discurso altruísta de voluntários de ONGs de fim de semana para colocar aquela foto no Egobook muitas vezes fica apenas nas palavras, pois o egoísmo e a cobiça ainda predominam em muitas esferas profissionais, acadêmicas e principalmente políticas.

No campo da competência emocional, cometemos aqueles pecados quando não somos generosos com a expressão de nossas emoções. Os inteligentes emocionais compartilham suas emoções por meio de uma postura positiva e genuína com as outras pessoas, tolerantes em relação a pequenas falhas, são otimistas e desprendidos de desconfianças precoces que lhes impeçam de revelar seus sentimentos, contribuindo para um aumento significativo da confiança que consegue inspirar nelas. A capacidade de fazer a “cara de pôquer” para poder ser bem-sucedido nos blefes do jogo pode ser valiosa no pano verde dos cassinos, mas nas relações interpessoais de nossa vida, as agendas ocultas levam apenas ao distanciamento e a conflitos perniciosos para o ambiente de trabalho e fora dele também.

Ser “econômico” na expressão das emoções podem ser pecadinhos de gula ou avareza, mas a última, mas não menos importante competência emocional, — a Empatia ou a falta dela, com certeza poderia levar muitos de nós ao confessionário de nossas consciências. Ser empático é demonstrar uma preocupação verdadeira em relação aos sentimentos e direitos dos outros, é demonstrar sensibilidade em relação às necessidades dos outros, é colocar-se nos sapatos ou com os óculos do outro para enxergar o mundo por suas lentes para podermos nos conectar e comunicar. Quando nossa gula pela atenção egoísta e a avareza do nosso tempo e atenção fazem com que nem nos dediquemos a escutá-lo de forma ativa, abrimos as portas para debates intermináveis e conflitos que levam à perda de ambos os lados.

E a preguiça e a luxúria?

Os escolados nos 7 Pecados Capitais podem estar imaginando porque foram esquecidos a Preguiça e a Luxúria. Não foi nem por preguiça e nem pela censura ao segundo. A busca de viver dominado pelo prazer e paixões que definem a luxúria se espelha também na soberba e superioridade em relação aos demais, mas com uma conotação um tanto sexual de amor próprio, beirando o doentio.

E a Preguiça… a deliciosa preguiça dos fins de semana sem nada para fazer não é apenas isso, mas falta de empenho, negligência, desleixo, inatividade com relação ao que podemos e temos que fazer como desenvolver nossas competências emocionais.

E a Inteligência Emocional pode ser desenvolvida?

Desenvolva a inteligência emocional em três passos:

1º) Primeiramente, temos que reconhecer que precisamos desenvolvê-la e em que aspectos.

2º) Depois, precisamos saber ou aprender como fazê-lo com alguém que vemos como um modelo em QE.

3º) Por último, e mais importante, precisamos querer e não ter preguiça de quebrar padrões e paradigmas de velhos preconceitos e percepções, para assim podermos mudar disciplinada e gradualmente nossos comportamentos. Dessa forma, temos uma oportunidade de conseguirmos uma reputação de pessoas emocionalmente competentes, deixando para trás a “burrice emocional”.

- Advertisement -
- Advertisement -

Últimas

Como a LGPD vai levar o RH a uma segunda onda da digitalização

Salvo alguma mudança de última hora – uma proposta de adiamento está em tramitação na Câmara dos Deputados – faltam menos de seis meses...

Cinco hábitos de pessoas malsucedidas – que você pode evitar

O sucesso não é copiar os hábitos de outras pessoas ou seguir um caminho baseado em receitas de autoajuda. A maneira mais...

Solitários, esgotados e deprimidos: o estado da saúde mental dos Millennials

A “Business Insider” analisou o estado de saúde mental da geração Millenial – pessoas com idade entre 23 a 38 anos em...

Conheça seis comportamentos que podem atrapalhar a sua carreira

Fortes habilidades sociais e inteligência emocional são mais necessárias agora do que nunca. Na medida em que as organizações se conscientizam da...

Chefe e colegas de trabalho narcisistas? Aprenda a lidar com eles

Você sabe reconhecer um narcisista? Pessoas com este traço de personalidade costumam dificultar o seu dia a dia e, se forem tolerados e recompensados,...

Esqueça o carisma: entenda por que líderes humildes são bem-sucedidos

Existe um paradigma no mundo dos negócios que diz que os CEOs de sucesso são ambiciosos, orientados a resultados, individualistas e, acima de tudo,...

A discriminação dos candidatos por meio de testes de seleção

Nos últimos tempos, nunca foi tão alto volume do som das acusações e críticas contra os vários tipos de discriminação: racismo, homofobia e outros,...

Considerando uma mudança de carreira? Então leia esse post

Muitas vezes, uma mudança de carreira parece uma transformação glamourosa - uma imagem blasé do “antes” transformada em um belo “depois” em uma revista...