quarta-feira, julho 8, 2020

Roberto Santos responde: Fui demitida por improbidade. E agora?

“Fui demitida por justa causa, para ser mais franca, ato de improbidade. Sei que vai ser difícil entrar no mercado de trabalho novamente, mas gostaria de saber quais as possibilidades.”

Roberto Santos, sócio-diretor da Ateliê RH, responde:

Para começar, queria elogiar sua coragem de compartilhar esse problema em sua carreira nestes dias de delações premiadas de criminosos que ocupam posições de destaque na vida pública e empresária, em um nível jamais imaginado.

Com certeza, o ato de improbidade que você praticou e que levou à sua dispensa por justa causa, não chega ao calcanhar dos crimes praticados por esses senhores e senhoras.

De qualquer maneira, seja por um punhado de reais ou milhões de dólares, a improbidade leva a sanções impostas pela sociedade para evitar o impacto desastroso no convívio honesto entre seus membros.

Independente do ato de improbidade que você cometeu, até sua realização, você devia pautar seu comportamento pelos princípios éticos e das leis vigentes, não? Porém, surge uma oportunidade, um convite para um conluio, um fechar de olhos para o que sabemos ser errado por maximizarmos as vantagens indevidas que esperamos obter e minimizarmos os riscos e consequências desse ato — que como você deve estar sentindo, pode manchar toda sua carreira.

Fio de prumo

Há alguns anos, escrevi sobre o “fio de prumo” que deve reger nossa carreira — e repito o último parágrafo daquele artigo, tão atual nesses dias de Lava Jato: “O fio de prumo é aquele instrumento usado pelos pedreiros nas construções para garantir que uma parede que começou a ser construída do chão, chega ao teto em linha reta, sem desvios que depreciem a obra. Geralmente, trazem um pedaço de chumbo amarrado a uma linha de nylon que ajudado pela gravidade indica a retidão desejada. A ética e a regra de ouro de ‘faça aos outros o que gostaria que fizessem a você’, são a linha e o chumbo do fio de prumo que você pode optar por usar para construir sua carreira. A opção de abandoná-los pode ser considerada, mas deve-se estar preparado, pois um dia, como a casa, sua carreira pode ruir.”

Bem, mas até aqui, ainda não respondi à sua consulta sobre “…vai ser difícil entrar no mercado de trabalho novamente, mas gostaria de saber quais as oportunidades.”

Infelizmente, tenho que concordar que o caminho de volta ao mercado de trabalho é difícil, porque o mais normal é as pessoas duvidarem da capacidade de regeneração dos outros, sua capacidade de se “reaprumar”, usando a imagem do fio de prumo, gera ceticismos e desconfiança entre a maioria das pessoas, especialmente entre recrutadores e selecionadores. E tem saída?

Pessoas que não reconhecem o erro e optam por permanecer com o fio de prumo enrolado, podem pensar em tirar uma carteira de trabalho nova, arrumar uma atividade paralela no período em que cometeu aquele ato de improbidade, mudar de ramo, de cidade, de estado, enfim, tentar apagar falsamente o que passou.

Por sua consulta honesta, acredito que não esteja considerando esses meios ou até já os tentou… Então, cara leitora, preciso indicar que a possibilidade que vejo é retomar aquele prumo que tinha em sua carreira, até que se deparou com a “tentação” de vantagens indevidas fáceis.

Solicitar a amigos que conhecem sua história — especialmente antes daquele ato, e possam atestar a base de seu caráter e competência – para que a apresentem a selecionadores que lhe deem oportunidade de saber de seu arrependimento e necessidade/desejo de retomar seu fio de prumo, é o caminho mais viável que poderia lhe recomendar.

Boa sorte.

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