domingo, outubro 25, 2020

Os caçadores de mitos: pessoas são racionais?

Por Dustin Hunter

Desculpem, mas não existe indivíduo puramente racional ou lógico. Espero que não seja uma revelação o fato de que, no geral, as pessoas são irracionais e amplamente inconsistentes ao tomar decisões. Veja como exemplo o sistema de loterias dos Estados Unidos. Economistas se referem à loteria como um “imposto da estupidez”; a prova é que a loteria gerou cerca de US$ 68 bilhões de receita anual em 2013. O apresentador do programa Last Week Tonight, da HBO, John Oliver, resume bem como são os gastos em loteria: “É mais do que os americanos gastaram no último ano em ingressos para o cinema, música, pornografia, NFL, MLB e videogames. O que, basicamente, significa que os americanos gastam mais com a loteria do que com a América”.

Todos acreditam que podem bater as probabilidades. Muitos acham que, se decidirem jogar, as chances estarão a seu favor simplesmente por participarem do jogo. Na verdade, estudos mostram que cada um de nós acredita que está acima da média em praticamente tudo que a vida tem a oferecer (não apenas em adivinhar os números da loteria). Isso inclui inteligência, habilidades de direção e proezas sexuais, para citar apenas alguns exemplos. Esse viés muito bem estudado é chamado de superioridade ilusória e não há necessidade de um psicólogo organizacional para saber que nem todos podem estar na direção de uma distribuição normal.

Tome como exemplo as epidêmicas mensagens de texto enviadas atrás do volante, que assola as estradas atualmente. Um estudo de psicólogos da Universidade de Utah, dos Estados Unidos, mostra que apenas 2,5% da população, apelidados de “supertarefeiros”, podem desempenhar múltiplas tarefas bem o suficiente para conseguir usar o telefone e dirigir com segurança, ou enviar mensagens e dirigir. Então, por que pessoas inteligentes não param de olhar para seus smartphones na hora mais inapropriada do dia?

Junto de nossos vieses naturais, a evolução trabalha duro contra a tomada racional de decisões. Quando uma pessoa ouve o ‘ding-ding’ de uma mensagem de texto ou e-mail, que produz endorfina, um interruptor biológico é ativado. Antigamente, na história humana, esse interruptor servia ao propósito de identificar rapidamente se quem estava cutucando seu ombro por trás era um amigo ou inimigo. A atenção da pessoa a esse encontro poderia resultar em uma saudação ou uma decapitação. A mensagem de texto é o mesmo tipo de gatilho, que o cérebro deve atender para determinar uma intenção, mesmo que isso signifique derrapar para fora da estrada.

Quando o assunto é assumir riscos, seja com nossas finanças ou nossa segurança, seres humanos são péssimos em enxergar o cenário total. Antigamente, os humanos tinham de tomar apenas decisões de curto prazo com o objetivo de satisfazer suas necessidades imediatas de sobrevivência (basicamente comida e sexo), pois a expectativa de vida era de apenas algumas décadas, com sorte. Nessa era, os riscos eram calculados baseados na probabilidade de poder evitar resultados negativos, como fome ou predação. Hoje, não temos tantas consequências imediatas de nossas ações, mas o resumo das consequências a curto prazo determinam nosso sucesso a longo prazo.

Esperamos que agora você esteja mais consciente da falácia da tomada lógica de decisões. Mas se isso não ressoou em você, talvez tenda a concordar com os cerca de 21% de americanos adultos, que responderam “verdadeiro” para a frase: “Ganhar na loteria representa o jeito mais prático de acumular centenas de milhares de dólares”.

Com Hogan Assessments

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