quarta-feira, agosto 17, 2022

Os benefícios e obstáculos do perfeccionismo

O que Steve Jobs, Michael Jackson e Leonardo Da Vinci têm em comum? Fora o talento, eles eram perfeccionistas. O mesmo provavelmente pode ser dito de Madonna, Serena Williams e Gordon Ramsay. Seja nas artes, ciências ou no empreendedorismo, pessoas excepcionais raramente confiam apenas em seu próprio talento. Elas também se devotam integralmente – e até obsessivamente – à qualidade.

Psicólogos estudam o perfeccionismo há décadas, detalhando seu papel de realizar incríveis proezas bem como por suas qualidades destrutivas. De fato, são poucos os traços de personalidade que ilustram a fina linha entre a normalidade e anormalidade melhor do que o perfeccionismo.

Embora as definições variem, sua característica central é a preocupação desproporcional em cometer erros. Perfeccionistas são movidos por seu medo do fracasso, e é essa a força motriz que os motiva a alcançar o que outros não conseguem. É o que os psicólogos avaliaram como uma manifestação adaptativa da síndrome do impostor: como você acha que não é tão bom quanto realmente é, você investe uma grande quantidade de tempo e energia para melhorar.

Alfred Adler e Friedrich Nietzsche se referem a esta disposição como o “complexo de inferioridade” de grandeza. Por trás de cada conquista extraordinária, eles concluíram, um perfeccionista encontra inseguranças dolorosas e dúvidas de si próprio. O sucesso é apenas o antídoto temporário para essas emoções desagradáveis.

Perfeccionismo improdutivo

No entanto, o perfeccionismo nem sempre resulta em grandiosas realizações artísticas e intelectuais. Quando não é acoplado a grande habilidade, resiliência, ou ética de trabalho, o perfeccionismo pode levar à procrastinação e outros comportamentos autodestrutivos, incluindo distúrbios alimentares. Mas isso torna o perfeccionismo igual a tantos outros traços de personalidade: em demasiado ou em carência pode ser prejudicial, mas na quantidade certa pode ser um benefício enorme para a pessoa.

Um fator que contribui para o resultado desse ato de equilíbrio complicado é a “propensão ao stress”. Em um estudo envolvendo estudantes de medicina, que geralmente são mais perfeccionistas, os pesquisadores descobriram que os perfeccionistas tendem a ter um desempenho melhor quando não são atormentados por estresse e ansiedade, mesmo que eles ainda não estejam satisfeitos com suas realizações depois. Por outro lado, os perfeccionistas neuróticos não conseguem se sobressair tão bem, e ainda acabam insatisfeitos com o resultado de seus esforços.

Depende de quem está olhando

Mas há talvez um indicador ainda melhor para saber se o perfeccionismo de alguém será do tipo “bom” ou do tipo “ruim”: o quanto eles se concentram em si mesmos, em vez de outros.

De fato, avaliações de evidências científicas sugerem que, quando os perfeccionistas estão preocupados basicamente em não decepcionar os outros, eles tendem a ter um desempenho pior. Mas quando eles estão fixados apenas em melhorar – superando seus recordes pessoais e trabalhando para aprimorar – em geral, sua performance e bem-estar são positivos.

Em outras palavras, os perfeccionistas são melhores quando são seus piores críticos. Esta forma de autoorientação mantém os perfeccionistas concentrados na tarefa, evitando ansiedades sociais e outras distrações que possam contaminar suas convicções.

Um mundo perfeitamente imperfeito

Finalmente, é importante lembrar que o perfeccionismo também afeta outras pessoas de maneiras positivas e negativas. Amigos, parceiros e membros da família podem sofrer com a devoção do perfeccionista por seu trabalho e carreira. Por outro lado, quando os perfeccionistas entregam grandeza, eles criam valor para a sociedade em geral, inspiram outros a aumentar os seus próprios padrões, e contribuem para a inovação em seus campos.

Em uma época em que tantos conselhos de especialistas se esforçam para ajudar as pessoas a combater o estresse relacionado ao trabalho, é útil lembrar que praticamente todos os empreendedores excepcionais são workaholics e que alguns dos progressos mais significativos existem graças a eles, em vez daqueles que possuem grande capacidade para gerenciar horários e um equilíbrio saudável entre o trabalho e a vida.

Assim, embora possa soar egoísta, a humanidade provavelmente perderia muito ao encontrar a cura para o perfeccionismo.

Com Hogan

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