segunda-feira, agosto 8, 2022

O que pesa mais para o sucesso: currículo, criatividade ou credibilidade?

Por Roberto Santos

O que se vive no Brasil, ou pelo menos na cidade em que vivo, é o que chamei há anos de o paradoxo do desemprego – muita gente desempregada, mas muita gente procurando empregados. O paradoxo é provocado pela decadência na formação escolar, ética, cultural e motivacional da força de trabalho chamada de Geração Y ou da nova Geração Milênio.

Jovens ansiosos para entrar e obter um certificado que tenha algum simulacro que seja, daquelas três letrinhas mágicas para enriquecer o CV – o MBA (ou “emibiei”), também conhecido como qualquer pós-graduação que me permita dizer em entrevista que tenho algo mais do que um mero curso superior.

Chovem “emibieis” em linhas e mais linhas de currículos recheadas de pós-graduações, mas seus donos ainda não sabem usar aquelas supérfluas regras de concordâncias verbal e nominal, isto quando não confundem “perca” com “perda” e outras torturas à língua pátria.

Além disso, pelos canudos universitários escorregam semiprofissionais, semipreparados para um mercado de trabalho em desemprego. No entanto, pela carência de mão de obra, estes semiformados conseguem empregos, seguidos de sucessivos fracassos. É comum ouvir colegas consultores contarem suas agruras de precisarem ensinar seus interlocutores cada vez mais juniores e despreparados a lhes dizer o que precisam encomendar – um verdadeiro festival de mediocridade.

Qual seria a resposta: o reforço de uma formação acadêmica ou ser mais criativo para ser bem-sucedido no mercado de trabalho em crise?

Ambas anteriores e mais outras medidas serão necessárias e urgentes para aquela lenda do “país do futuro” que eu ouvia em meus tempos de menino não perdurem para o tempo de meus bisnetos.

O reforço acadêmico e curricular precisa iniciar seriamente na base para que universitários e “pós-graduados” saibam Ler e Escrever, com Letra Maiúscula mesmo! Sonho louco, ilusão, outra lenda – parece que sim, mas precisará acontecer para chegarmos aos tornozelos dos países que levam a sério suas vocações, como a Coreia do Sul, que nos envergonham com a carga horária da educação fundamental de seus jovens.

O exemplo do exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que aprova menos de 20% dos formados como “bacharéis em Direito” por ano, para exercício de profissão, deveria ser seguido por todos os cursos. Psicólogos, administradores, médicos, arquitetos, engenheiros, farmacêuticos passariam menos vergonha de sua categoria com esse filtro higienizador de incompetência generalizada.

Criatividade, entendida como a capacidade de solução de problemas novos com ideias e conceitos fora do padrão que agregam valor ao negócio em que se insere, também é uma competência importante que ajuda àqueles que a tem reconhecida e aproveitada. O quê, dependendo do chefe-mala que se encontra pela frente, pode ser muito difícil de se conseguir.

Além desses elementos acadêmico e criativo, os profissionais precisam se dispor desde o primeiro ano da faculdade a pensar em sua carreira em termos práticos ou técnicos. Os jovens que querem sentar no “Corner Office” (aquele lugar de destaque máximo dos grandes executivos de torres de marfim) logo que recebem seu diploma, precisam aprender a “comer um pouco de grama” antes de se refestelar nos “fringe benefits” corporativos.

Antes de pós-graduados ou virtuoses pianistas, esses jovens precisam aprender sobre o instrumento carregando-o, para mostrar a força de seu caráter e motivação. Antes de esperar o salário e bônus que brilham nas páginas da Exame, precisam aprender a ganhar em experiências, credibilidade e competência, entregando um trabalho de qualidade e no prazo combinado.

Para aqueles que queiram estar prontos para, mais do que surfar, navegarem em alto mar – revolto ou não – com um Norte firme e decidido, devem estar prontos para conhecer cada posto de sua embarcação – do porão ao convés, do esfregão ao leme, antes de chegarem à cabine de comando.

Com Vyaestelar

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