segunda-feira, agosto 8, 2022

Ganho menos que os meus colegas. O que eu faço?

Por Roberto Santos

Esta questão me faz recordar de meus tempos de executivo de Recursos Humanos em que deparava com tentativas de reclamação comparativa de salários.

Minha resposta de então seria a mesma hoje: “Tenho todo tempo do mundo para tratar de seu salário e de onde ele se situa na faixa salarial, dentro da estrutura da empresa, e o porquê disso, mas não tenho um minuto para ouvir sobre sua comparação com o salário de seus colegas, ou qualquer outra pessoa da empresa”.

Como podem ver pela eloquência destas palavras, mesmo depois de muitos anos, meu posicionamento sobre esta questão ainda é muito claro e firme.

Primeiramente, a informação sobre a remuneração é, ou deveria ser tratada como confidencial, do interesse exclusivo de cada um. Quando ela vaza, por acidente, ou por iniciativa de pesquisas salariais informais nas rodas de cafezinho ou nos happy-hours das empresas, já começamos com o pé errado, como na invasão da correspondência de outra pessoa.

As empresas que têm uma estrutura salarial bem definida e uma política de meritocracia bem estabelecida e coerente contam com diferenças salariais entre os ocupantes de um mesmo cargo. Geralmente, essas diferenças resultam de um conjunto de fatores: ponto da faixa salarial em que a pessoa se encontra, tempo que passou desde o último aumento e, o mais importante, a classificação do desempenho de cada um.

Quando se usa informações obtidas, de maneira relativamente ilícita, sobre colegas que ganham mais (ninguém vai comentar com o chefe que está ganhando mais do que os colegas), estamos reivindicando uma correção de uma injustiça. Porém, podemos estar esquecendo que é a avaliação que nossos superiores têm de mim que pode ter determinado uma defasagem salarial, lembrando que a recompensa salarial é decorrência do desempenho e não o reverso.

Dessa maneira, ao invés de bisbilhotarmos sobre o salário de nossos vizinhos e cobrarmos de nosso chefe a reparação de uma injustiça, melhor seria se concentrássemos em nosso desempenho, buscando feedback de nossos superiores sobre como estamos sendo avaliados e como podemos aperfeiçoá-lo. A este tema, os gestores deveriam dedicar todo um tempo de qualidade pois é o que move pessoas e negócios.

Com Vya Estelar

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