terça-feira, agosto 3, 2021

Êxodo digital: como lidar com um apagão de mão de obra?

Por Guilherme Junqueira

Nunca houve tantas ofertas de emprego na área de TI. Justamente porque na pandemia, muitas empresas foram forçadas a digitalizar seu modelo de negócio para sobreviver ou atender a alta demanda dos consumidores: e-commerce, aplicativos, aulas virtuais, entre outros. Sem falar de outras procuras como otimização e automação de processos internos, segurança de dados e experiência do cliente.

De acordo com um levantamento da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), a procura por profissionais na área de TI é de 420 mil pessoas até 2024. Só na capital de São Paulo, as carreiras na área tiveram crescimento de até 671% em 2020. Porém, hoje, segundo a entidade, o Brasil forma 46 mil profissionais com perfil tecnológico por ano.

Para donos de empresas especializadas em tecnologia, que já convivem constantemente com a dor da falta de mão de obra qualificada, isso não é novidade. Porém, hoje os empreendedores precisam também se preparar para um iminente êxodo digital e competir com os benefícios que as empresas internacionais oferecem, como home office, salário em dólar e oportunidade para viver no exterior (quando isso for possível). Afinal, com a pandemia e as restrições de circulação, o trabalho remoto não só virou padrão como facilitou a entrada de programadores no mercado de trabalho global.

A disputa faz com que os salários dos profissionais sejam inflados e o aumento da rotatividade também. Segundo a consultoria em recursos humanos Revelo, os salários oferecidos aos profissionais de tecnologia dispararam cerca de 20% em 2020, em média. Ou seja, é preciso ter um RH estratégico, se você quiser trazer novos talentos.

Estude o cenário

Reveja como funciona o seu funil de aquisição de candidatos. É eficiente? Está condizente com as suas metas? Você está perdendo profissionais capacitados para seus concorrentes? As pessoas contratadas estão conseguindo evoluir dentro da sua empresa?

Se nem você, dono do próprio negócio, conseguir responder a esses questionamentos, pode ter certeza de que sua equipe também enfrentará dificuldade em dizer não ao receber uma proposta de trabalho que tem diferenciais nos pontos citados acima.

Considere a estratégia de acqui-hiring

O termo significa a compra de empresas não pelo que produzem, mas pelo seu quadro de funcionários. Esse movimento reforça a importância de ter uma equipe bem qualificada, independente do seu porte. Para empresas que estão crescendo é uma maneira de continuar entregando resultados e expandir seus serviços sem perder o foco. Já para as pequenas pode ser uma oportunidade de se unir a uma companhia maior e os funcionários podem ter mais espaço para crescer na carreira e participar de projetos maiores, até mesmo globais.

Reveja sua maneira de contratar e treinar

De acordo com uma pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), somente 14,8% dos jovens brasileiros formados há menos de três meses conseguiram trabalho na sua área de atuação. Mais de 65% dos recém-formados afirmaram que não tinham o tempo de experiência exigido pelas empresas. No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos era de 29,8%. Foram entrevistados graduados entre o fim de 2019 e de 2020. Já no estudo anterior, referente ao período de 2014 a 2018, a proporção era de 27%.

Ou seja: as empresas não estão preparadas para treinar seus funcionários e seniorizar sua equipe. É preciso dedicação, tempo e treinamento de líderes para acompanhar a evolução de cada um que entrar na sua empresa. Ressalto que não adianta ter um fluxo de recrutamento, seleção e contratação afiado se quando o profissional entra na empresa não é mais ouvido.

Diversifique

Existem diversas maneiras de trazer profissionais fora da bolha em que você vive. Com o home office, é possível trazer profissionais para o time de diversas regiões do Brasil, focando na diversidade. É importante investir muito em capacitação com academia corporativas para o seu time,  não só em programas de capacitação no momento da contratação, por meio do Education Recruitment, por exemplo.

Outra dica é buscar parcerias com ONGs e startups sociais para a formação em tecnologia, vale citar algumas como a Laboratória, Generation Brasil, AfroPython, Deficiência Tech, e tantas outras dedicadas à inclusão e profissionalização de novos talentos no mercado digital.

Em “Coragem para Liderar”, Brené Brown afirma que existe uma correlação positiva entre inclusão, inovação e desempenho. “Repito, somente quando passamos a incluir, respeitar e valorizar pontos de vista diversos é que podemos começar a ter uma visão completa do mundo, das pessoas a quem servimos, do que elas precisam e como conseguir atendê-las.”

Guilherme Junqueira é CEO da Gama Academy

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