quarta-feira, julho 8, 2020

Como administrar o networking sem parecer interesseiro

Como é possível administrar uma rede de relacionamentos com tantos contatos sem parecer um interesseiro?

Roberto Santos, sócio-diretor e fundador da Ateliê RH, responde:

Muito interessante e contemporânea a preocupação por trás do tema proposto. De fato, networking ou, traduzindo, rede de relacionamentos, se tornou a receita que se pretende infalível para se ter sucesso na vida, especialmente nas (re)colocações. Vivemos em um mundo crescentemente virtual das mídias sociais e de “web-recruiting”, ou recrutamento virtual de sites de amplo espectro e alcance, como o LinkedIn. Nesse mundo, parece que nossas credenciais, na forma do velho e batido Curriculum Vitae, transformadas em bit e bytes pelos filtros digitais, acabam indiferenciadas, quando não excluídas por uma falha em nosso CV ou do filtro do selecionador.

O ser humano tem três necessidades básicas, independente da cultura em que vive — de se dar bem e ser aceito pelos outros, de se destacar nos grupos em que participa e de encontrar um significado para sua vida e, dentro desta, para sua carreira. A forma pela qual nós buscamos a realização destas necessidades básicas é a nossa personalidade, manifestada por nossos comportamentos e atitudes, que nos torna únicos. Daí, somos diferentes quanto a nossa competitividade e extroversão para iniciarmos novos relacionamentos ou quanto à nossa proatividade para tomar iniciativas arriscadas que nos coloquem na berlinda.

Então, quando consideramos o tema do “networking” ou quaisquer outros desse tipo, não há uma receita vale-tudo que deve ser seguida por todos para obter o sucesso garantido. Os introvertidos e de perfil “low profile” (que não gostam de chamar a atenção para si) nunca vão ter uma rede de relacionamentos como seu colega que parece estar sempre disputando a medalha de ouro do número de “amigos” do “Egobook” ou de contatos no LinkedIn, pois ao tentar fazê-lo pode se sentir como você relata. “Então, tenho que fazer contatos só pensando em fazer ‘amigos’ visando a conseguir emprego?” Lembrando que além de se destacar e ser aceito nos grupos, nós humanos buscamos fazer sentido da vida, por meio de princípios e valores, as receitas nunca podem ser generalizadas. Nossa rede de relacionamentos verdadeira e duradoura sempre deve passar pelo crivo de nossos valores.

Assim, se você valoriza seus relacionamentos familiares e amigos de diferentes fases de sua vida, eles sempre terão prioridade sobre os contatos profissionais — interesseiros ou não. Outras pessoas, que possuem valores distintos, do tipo, na vida temos que nos destacar a qualquer custo, inclusive usando as pessoas, elas poderão fazer o que você revela como um temor — que é revelador de seus valores. Então, para cuidar de nossos valores mais importantes, inegociáveis e perenes, podemos “segmentar” ou classificar o que consideramos a rede de relacionamentos pessoais, familiares e sociais, da rede de relacionamentos profissionais. Isso não quer dizer que de sua rede pessoal, não poderá tem um apoio em alguma questão profissional, ou que da rede profissional você não possa migrar alguém, gradualmente, para aquela rede pessoal ou social. Acima de tudo, cada dia as mídias sociais mais fortemente servem como a porta para sermos conhecidos, para a formação de nossa reputação perante o mundo profissional, entre outros, então, se queremos estar presentes nos Facebooks, LinkedIns e Twitters, não podemos perder isso de vista. Essa reputação, segundo os olhos e crivos dos outros (incluindo recrutadores), será avaliada pelas demonstrações de nossa personalidade e pela consistência de nossos valores.

Ser consistente com a valorização diferencial para os entes queridos entre seus familiares e amigos, é um valor que reforçará a qualidade mais do que o tamanho do seu networking profissional

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