sexta-feira, dezembro 3, 2021

Ciência de Dados pode transformar Gestão de Pessoas em 2021

Por Paulo Oliveira, Coordenador de Marketing da Apdata

O setor de Recursos Humanos foi um dos que mais sentiram a transformação no ano de 2020. Mais do que nunca, a gestão de pessoas se tornou mais importante do que um pacote de benefícios atraente. E a partir dessas evidências, a tecnologia e um planejamento estratégico devem se tornar prioridade dos departamentos de recursos humanos das companhias em 2021.

Um estudo divulgado em 2020 pela Great Place to Work apontou que o maior desafio do setor de RH é estruturar processos tradicionais. Em uma era digital, existe a falsa impressão de que a maior parte das empresas já está inserida nessa transformação. Mas a realidade é que existem diferentes níveis de maturidade e necessidades.

Copiar modelos prontos de gestão ou simplesmente adotar ferramentas que outras companhias estão usando não será eficaz se antes não houver uma consultoria e um planejamento baseados nos valores e cultura de cada organização.

É a partir desse kick-off que se pode definir as métricas que nortearão o novo modelo de RH em 2021, que deve conter um regime de trabalho híbrido, com foco na gestão de pessoas e dados.

Trabalho Híbrido

O trabalho remoto, um modelo que parecia estar se consolidando em todo o mundo e uma estratégia adotada por 46% das organizações durante a pandemia, aos poucos vai dando espaço para um regime híbrido, onde parte do tempo no escritório e outra parte à distância garantem a interação entre as equipes e uma melhor avaliação de produtividade.

Um estudo conduzido pela startup Open Mind Brazil, em 2020, aponta que 85% dos entrevistados pretendem implantar em suas empresas um misto de home office e trabalho presencial em 2021.

No entanto, com mais da metade dos trabalhadores trabalhando quase que 100% do tempo fora do escritório, os investimentos em tecnologia e segurança precisam acompanhar essa tendência. Para tanto, é imprescindível pensar fora da caixa e investir em ferramentas que não só permitam que o funcionário exerça suas atividades à distância, mas que façam com que ele se sinta dentro da empresa. Isso é especialmente relevante na contratação de novos profissionais.

Onboarding Online

O onboarding, ou, em tradução literal, o embarque do colaborador na empresa, é uma prática que vem sendo preterida em função dos novos processos seletivos, que durante a pandemia, passaram a ser realizados de maneira remota e, muitas vezes, para assumir vagas também à distância.

Essa imersão, em seu significado integral, pressupõe muito mais do que as boas-vindas, mas um período destinado à demonstração dos valores e cultura organizacional, deixando claro ao profissional os princípios que norteiam todas as decisões.

Além das já consolidadas vídeo-conferências, um planejamento logístico para envio de materiais no local de trabalho do colaborador e uma plataforma de treinamentos online são recursos que permitem investir nessa etapa mesmo em tempos de home office.

Afinal, causar uma boa impressão não se trata apenas de empatia, mas de integrar o profissional ao time e fazer com que ele se sinta parte da empresa. Tais práticas comprovadamente reduzem o turn over, que é, aliás, o 4º maior desafio enfrentado pelo RH, de acordo com a pesquisa da GPTW.

People Analytics

Embora o Big Data não seja uma novidade, e tanto empresas como profissionais já olham para a gestão dos dados como um ativo valioso, são poucos os profissionais de RH que consideram que suas empresas são boas em capitalizar os insights da análise de pessoas. Apenas 29% têm essa percepção, segundo o último relatório do LinkedIn Global Talent Trends.

O conceito People Analytics é uma metodologia que permite transformar grande quantidade de dados em informações estruturadas e úteis para um propósito pré-estabelecido. Dados estes que estão armazenados nas fichas de admissão, no currículo, processo seletivo ou até mesmo em redes sociais e conversas informais com o colaborador.

O propósito não deve ser o de vigiar, mas melhorar a interação, a produtividade e a participação do profissional, identificando problemas antes que resultem em demissões voluntárias ou baixo desempenho.

Registros já existentes nas empresas, como folha de pagamento, marcação de ponto e soluções que medem a produtividade escondem informações importantes que podem traçar um perfil e uma visão mais estratégica do colaborador. Unir esses dados com inteligência será o grande desafio do setor de recursos humanos em 2021 e a automação uma grande aliada.

Employee Experience

A maior parte das tendências listadas diz respeito a pessoas e dados. Isso porque nenhuma empresa tem sucesso sem uma equipe engajada e comprometida com os mesmos objetivos. Processos são importantes, mas sem o talento humano eles não trazem resultados.

Muito se fala na experiência do consumidor durante uma compra, mas, assim como o cliente, o empregado precisa ter uma boa referência da empresa em que trabalha. Jacob Morgan, autor do livro The Employee Experience Advantage (As vantagens do Employee Experience, em tradução livre para o português), defende categoricamente que a percepção dos colaboradores impacta não só na marca da empresa como empregadora, mas como marca de consumo.

Nesse sentido, surge o profissional do RH do futuro, que não é mais só um especialista em avisos de férias, rescisões e folhas de pagamento, mas, principalmente, um líder em diversidades, que tem como principal tarefa melhorar o clima organizacional, atrair profissionais e reter talentos.

Processos manuais tendem a se tornar obsoletos, dando lugar aos portais que fazem esse trabalho de maneira automática, enquanto os verdadeiros líderes cuidam de pessoas.

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