quinta-feira, junho 30, 2022

Big techs anunciam retorno ao escritório; adoção do modelo híbrido exige acordos

As maiores empresas de tecnologia do mundo estão deixando de lado o home office em tempo integral – e adotando diferentes formas de trabalho em modelo híbrido. Nas últimas semanas, muitas das chamadas big techs anunciaram o retorno obrigatório ao escritório em determinados dias da semana, conforme noticiado por sites como Deadline e Fast Company.

O Google, por exemplo, determinou que, a partir de 4 de abril, os colaboradores devem comparecer ao escritório ao menos três vezes por semana. A Apple adotou uma abordagem gradual: a partir de 11 de abril, os funcionários devem trabalhar do escritório uma vez por semana; número que será aumentado para três vezes por semana a partir de 23 de abril. Tim Cook, CEO da Apple, explicou ao The Verge que a medida tem o objetivo de aumentar a interação entre os colaboradores: “Mesmo com tudo o que pudemos alcançar enquanto muitos de nós estivemos separados, algo essencial estava faltando no ano passado: um ao outro. A chamada de vídeo diminuiu a distância entre nós, com certeza, mas existem coisas que ela simplesmente não consegue fazer.”

A Meta (Facebook) e a Microsoft se anteciparam: o retorno ao escritório começou nesta semana, no dia 28 de março, com a Microsoft declarando que o ajuste da jornada de modelo híbrido será feito caso a caso, em livres negociações entre trabalhadores e seus gestores imediatos. Em um comunicado oficial, a empresa apontou que, com o modelo híbrido, pretende “dar aos funcionários mais flexibilidade, permitindo que as pessoas trabalhem onde se sintam mais produtivas e confortáveis.”

Outras empresas de tecnologia, como Twitter, Reddit e Amazon, ainda estão deixando nas mãos dos funcionários a decisão sobre ir ou não ao escritório. Andy Jassy, CEO da Amazon, declarou anteriormente que “para uma companhia do nosso tamanho, não existe um único modelo que funcione bem para todos os times.”

Flexibilidade, economia e sustentabilidade

O ponto levantado por Jassy reflete uma das primeiras vantagens que vem à mente quando se fala em modelo de trabalho híbrido: a flexibilidade. “A mentalidade dos trabalhadores tem mudado”, afirma Fernando Gorguet, Head de Global Sales da Desko, plataforma brasileira de gestão do workplace. “Hoje já há quem afirme que pretende procurar outro emprego caso seja obrigado a voltar ao modelo 100% presencial. Essa tendência é especialmente forte na Geração Z, uma leva de trabalhadores que vê o home office como absolutamente natural.”

Não são apenas os funcionários que podem se beneficiar do esquema híbrido: para as empresas, é claro, o modelo permite economizar recursos que seriam investidos em aluguel e manutenção de grandes escritórios. Mas não só isso: “Os executivos perceberam outras vantagens do trabalho remoto, como a possibilidade de contratar colaboradores que morem em outras regiões geográficas”, exemplifica Fernando. “Outro ponto positivo é a redução da pegada de carbono; algo que chama atenção em um mundo onde, cada vez mais, os consumidores estão atentos à sustentabilidade das empresas que fornecem os produtos e serviços que eles consomem.”

Modelo exige organização

A migração para o escritório híbrido, é claro, não pode ser feita de qualquer jeito: é preciso planejamento e ferramentas adequadas para manter a cultura empresarial, a alta performance, e a colaboração efetiva entre os funcionários. A promoção da equidade é outro ponto essencial: nem todas as pessoas têm, em casa, ferramentas totalmente adequadas à realização de suas funções; portanto, o escritório precisa fornecer esses recursos e estar preparado para receber, em qualquer dia da semana, os funcionários que precisem da estrutura física da empresa.

Nos Estados Unidos, vem crescendo a adoção de plataformas específicas para fazer a gestão do workplace; tendência que também já está presente no Brasil, conforme demonstram os números da Desko: desde o lançamento da plataforma, no final de 2019, a empresa já mapeou mais de 2,5 mil andares de escritórios, em mais de 700 endereços. Nesse período, quase 150 mil colaboradores foram registrados no sistema – juntos, eles realizaram cerca de 790 mil acessos para fazer reservas de mesas e computadores em quase meio milhão de estações de trabalho e 57 mil salas de reunião. No segundo semestre de 2021, a média foi de 70 mil reservas de mesas por mês.

Embora empresas de tecnologia ainda formem boa parte do portfólio de clientes da Desko, segmentos mais tradicionais, como bancos, indústria e advocacia, também passaram a adotar a plataforma; assim como organizações menores, com até 50 posições de trabalho. “Empresas de todos os segmentos entenderam que não precisam ampliar seus escritórios para crescer”, resume Mário Verdi, CEO da Desko.

Por meio da tecnologia, é possível fazer reserva de estações de trabalho, salas de reunião, lockers e mesmo vagas de estacionamento no escritório físico, fazendo um controle em tempo real da ocupação do espaço. A plataforma é totalmente personalizável, reproduzindo no ambiente virtual a planta do espaço físico de cada cliente.

Respeito às individualidades

Além da adoção de ferramentas de gestão ativa do workplace, a migração para o modelo híbrido exige respeito às individualidades de cada colaborador, e, claro, acordos claros a respeito dos processos e funcionamento. Tim Cook, da Apple, reconheceu essas individualidades no anúncio da companhia a respeito do retorno ao escritório: “Para muitos de vocês, voltar representa um marco muito esperado, e um sinal positivo de que poderemos interagir mais plenamente com colegas que têm um papel tão importante em nossas vidas”, declarou o executivo. “Para outros, também pode ser uma mudança inquietante.”

Parag Agrawal, CEO do Twitter, publicou na rede social que, por enquanto, a escolha vai ficar totalmente a cargo dos colaboradores: “Você pode trabalhar de onde se sentir mais produtivo e criativo, mesmo se quiser trabalhar sempre de casa”, escreveu. “Quer ir ao escritório todos os dias? Pode ser também. Alguns dias no escritório, alguns dias de casa? É claro.”

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